segunda-feira, 3 de março de 2014

Manufatura

Desde que comecei a interessar-me pelo tema que rege este blogue, deparei-me com uma tendência que tem vindo a alterar as percepções dos consumidores, a opção e a demonstração óbvia da importância da Manufatura.
É muito importante para nós consumidores sabermos que os nossos objectos de desejo têm um cunho pessoal de outrém, há um certo aspecto romântico associado, a sensação que existe um "empréstimo" de personalidade aos objectos. Mas de onde vem esta empatia e porque é que é tão importante para nós?
 
Este é certamente um tema mais enigmático e controverso do que possa parecer numa qualquer primeira instância...
Desde os tempos feudais (shogunato e imperialismo) no território Japonês que o trabalho manual é de extrema importância para a qualidade de um produto final.
Vejamos portanto o caso da Katana, a espada usada pelos Samurais. Mesmo actualmente os melhores exemplares continuam a ser executados por "especialistas" de áreas distintas, usando métodos ancestrais e nunca recorrendo a maquinaria ou robótica até. Todo este savoir faire concedia às espadas um estatuto superior a qualquer outra ferramenta no Japão, acreditava-se terem personalidade e poderes divinos, pelo que inclusive tinham nome e detalhes únicos. Qualquer semelhança com o conto do Pinóquio e de Gepetto é propositada.
 
É-nos feito crer que em muitos sectores a mão-de-obra altamente especializada é superior à maioria da tecnologia, nada bate olhos treinados e mãos sensíveis, segundo a Rolls Royce, por exemplo.
 
O que faz sentido, pois por um lado, a experiência e os "pequenos truques" podem ser passados de geração em geração, podem ser actualizados e conferem uma maior flexibilidade à produção, uma vez que não há reorganização ou aquisição de novos instrumentos ou máquinas aquando a produção de um novo artigo ou personalização da linha/gama existente.
 
E esta personalização é fundamental para o luxo de hoje, proporcionando diferenciação e exclusividade a um nível que não seria competitivo ou financeiramente saudável quer para empresas quer para consumidores caso tivesse de ser realizada apenas por máquinas.
 
A experiência e o Desenvolvimento&Design também assumem um papel importante, não é por acaso que vemos cada vez mais casas relojoeiras a desenvolver e fabricar os seus próprios movimentos, ou até as Chocolateries mais importantes a controlarem a cultura e moagem do cacau. São estes os key-players, logo são estes que melhor conhecem o seu produto e o que esperam dele, é por isso que Bugatti's ou Aston Martin's têm o motor montado manualmente por técnicos especializados, que assinam e dão garantia de qualidade com a sua assinatura na baía do motor destes automóveis.
Sumarizando um pouco, preferimos pagar mais em muitos casos para que o nosso artigo tenha a criatividade, atenção ao detalhe e qualidade que só um par nosso poderia naquele objecto incutir. Alguém com experiência e conhecimento profundo do seu métier, ao invés de um operador de robótica ou de um programador.
 
No entanto, em diversos  casos nas mais variadas indústrias (passo a redundância, indústria vs manufatura), temos exemplos de grandes empresas, que para atingirem a flexibilidade de produção e custos baixos que mencionei anteriormente, tendem a recorrer a trabalhadores manuais, de geografias empobrecidas, com salários baixos e condições de trabalho precárias. No sector têxtil isto é recorrente.
É-nos feito crer que as "lojas" mais ostensivas tendem a tratar pior o planeta e os seus habitantes, mas o facto é que vemos que a busca incessante pelos custos competitivos leva a mais situações degradantes. Basta comparar os exemplos que se seguem. Mas isso são temas para outros artigos...   "Just some food for your thought"
 
 
(Relojoeiros aprendizes da Lange&Sohne)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Semblante carregado nas instalações da Foxconn)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Dar a Mão

No seguimento da próxima temática que irei abordar aqui no blogue, dedicada ao valor da Manufatura e o "preço" que pagamos para que pessoas como nós usem as suas mãos para criar os objectos que tanto desejamos, darei impulso à iniciativa:
 
Marketing gives a hand
 
 
Simplificando, o blogue de futuro passará a incorporar anúncios digitais, sendo as receitas provenientes dos mesmos revertidas na sua totalidade para benefício de Instituições de Solidariedade Social e de Caridade!
 
Stay tunned and you'll be giving a hand to those in need

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Apple iPhone


 

Desde que comecei a escrever este blogue, fui frequentemente questionado acerca deste controverso dispositivo da marca da maçã. Talvez por isso, decido agora abordar não só o produto, mas também algum do Marketing que o levou ao sucesso que atinge ainda hoje.
 
Vou tentar dar resposta à questão que me colocaram, "é o iPhone um artigo de luxo?"
 
Não querendo fazer do blogue um marketing-mix do iPhone, começo no entanto com o Produto:
Fisicamente falando, os materiais estão lá... matérias nobres (em pequena quantidade e nos circuitos), safira na câmara e no botão principal, vidro mineral endurecido no ecrã, alumínio escovado e polido, fabricado com tolerâncias micrométricas, ou seja, muita qualidade na palma da mão!
 
A experiência que o iTelefone proporciona é certamente também polida e sofisticada, sistema operativo feito mesmo à medida e aplicações em abundância e com qualidade.
Não só o aspecto gráfico é simples, mas é igualmente atractivo, permitindo fácil utilização por uma base alargada de consumidores de diferentes, idades, géneros, geografias, educações e estratos sociais. O iPhone foi verdadeiramente feito para todos! (todos? veremos mais adiante)

Quando somos bombardeados com ações de comunicação (Publicidade para o resto do mundo...) da marca, somos levados a crer que este artigo é quase uma entidade viva, ninguém se refere ao iPhone como um objecto, não ouvimos "The iPhone 5s is...", mas antes "iPhone 5s is..",  acontecimento fortuito? Certamente que não, pois é esta personificação, juntamente com o serviço de voz "Siri" e ecrã "Retina" que levam os consumidores a afeiçoar-se e assumir por vezes um fanatismo quase religioso pela marca e pelo produto, defendendo e publicitando-as fervorosamente, talk about free guerilla marketing.
O Serviço ao consumidor é tido como razoavelmente bom e em muitos casos, um dispositivo em falha é substituído tão rápido quanto possível por um novo, sem custos para o consumidor.
Updates e novas funcionalidades também são fornecidas regularmente e por norma mesmo os dispositivos mais antigos continuam a poder beneficiar de uma percentagem dessas actualizações.
E o preço? bem o preço é alto, como seria de esperar, ou não estivéssemos a pagar por todo este luxo e inovação...
Calma lá...ALTO E PÁRA O BAILE!!! o iPhone é um bem de luxo e ponto final? Vamos analisar mais profundamente e tirar conclusões apenas no fim!
 
Começando pela distribuição, este artigo é produzido em escala e vendido aos milhões, preço alto até poderia tornar a distribuição mais selectiva, mas mesmo em Portugal, onde o poder de compra só recentemente inverteu a tendência decrescente, o iPhone vende muito mais do que os seus 600 e muitos €uros fariam prever (pvp 699,00€ em fnac.pt para o modelo iPhone 5S 16GB, livre de operador).
Vamos ainda descobrindo mais falhas quando observamos cuidadosamente o "físico" do smartphone, "Designed in California, Assembled in China", se tivermos em conta que, para começar, a Apple recorreu à Hon Hai Precision Industry Co,Ltd, FoxConn para ser mais claro, a montadora que empregava funcionários em condições muito duras e com salários reduzidos... Uma empresa de luxo não actua assim! Ah a responsabilidade social...  Não é por acaso que a Rolex dispensa os seus lucros para ações de caridade (sim, a Rolex é uma empresa sem fins lucrativos!).
Muitas vezes as marcas de luxo, por serem trend-setters, avant-garde, têm de dar o exemplo, a inovação não se faz só de animações no ecrã! A tecnologia marcante vem muitas vezes dos melhores artigos para os mais básicos, a indústria automóvel é talvez o melhor exemplo desse rolar de inovação.
Pegando em inovação, boa parte dos componentes da Apple são fabricados pela principal rival, a Samsung (exceptuando o chip mais recente que é da ARM UK), isto para não mencionar inúmeros aspectos técnicos do sistema operativo, que foram inspirados noutros SO's.
Neste aspecto a Apple, tem sido alvo de críticas de conduta, acusada de comprar/apropriar-se de tecnologia ou patentes de outras empresas, processando-as ou forçando-as a abandonar o negócio posteriormente.
Conduta igualmente criticada quando Apple e Samsung foram "apanhadas" a forçarem melhores resultados em aplicações de "benchmarking", na tentativa de ganhar a guerra das especificações e performance.
Além de tudo mais, não podemos dizer que este tipo de artigos é de luxo, quando perdem grande parte do seu valor após a compra e passados poucos meses do seu lançamento, a tecnologia é uma moda cruel!
 
Conclusão, o iPhone, mesmo não tendo sido um produto absolutamente transcendental, uniu um vasto conjunto de tecnologias (proprietárias ou de terceiros) que, estas sim, eram inovadoras e quando colocadas num só dispositivo criaram um produto único, de design intuitivo e vanguardista (ainda que lento na mudança).
É um produto que está a mudar as vidas de milhões de pessoas, dando comodidade e versatilidade às suas vidas.
Deve ser dado muito crédito à Apple, pois com um artigo de qualidade veio democratizar e difundir a utilização do massificada do smartphone e todos os benefícios para consumidores e empresas de daí vieram. Contudo e aquilo que para nós interessa aqui no blogue, o iPhone é afinal um bem de luxo? Resposta simples, NÃO.
 
Desiludido(a)? para os que desejam um telemóvel de luxo existirá sempre o Vertu !
 
 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Burberry goes Millennial

Pontualmente há pessoas que marcam uma empresa, uma estratégia, até uma indústria. Uma dessas pessoas é Angela Ahrendts, a CEO de saída da Burberry para a Apple, tendo entrado em 2006, revolucionando a empresa de alto a baixo.


















Esta é a história de sucesso de uma das CEO's mais carismáticas do sector, do seu trabalho e das repercussões no consumidor.
Como é que Angela Ahrendts mudou uma empresa fundada em 1856, cujo primeiro e principal de tipo de produto foi a Gabardina à prova de água, respirável e de design inglês? Como é que trouxe uma Marca de roupa para o século XXI?
A resposta não é directa... Envolveu um trabalho de pesquisa de consumidor, re-estruturação do posicionamento da marca e dos produtos, digitalização da comunicação, em suma mudou toda a experiência Burberry e modernizou-a, ou não estivesse patente no Logo da marca a palavra "Prorsum", que significa "em frente"!
 
Vendo em detalhe, o consumidor-alvo rejuvenesceu, fazia sentido trazer a marca para o presente e para isso o consumidor teria que estar adequado, teria que ser aquele que pudesse não só consumir, mas também comunicar a marca, fazer parte dela, envolver-se...
Assim o "target" seriam os "millennials", também conhecidos como geração Y, não só estes consumidores detinham um valor e poder de compra superior ao alvo prévio, mas eram aqueles que representavam uma maior permeabilidade aos novos meios de comunicação digital. Porquê essa permeabilidade? Posto de forma muito simples, mais gente acede semanalmente ao website Burberry World, do que aos espaços "brick and mortar" em todo o globo (leia-se lojas físicas).
Por estas razões, o posicionamento da marca teve obviamente que mudar, reforçou-se a natureza tipicamente britânica dos produtos, diversificou-se a oferta, mostrando flexibilidade e inovação, regida por 3 sub-marcas:
  • Burberry Brit - linha de entrada, com preços mais acessíveis
  • Burberry London - roupa de estilo formal de trabalho (Business)
  • Burberry Prorsum - Linha ou estilo base  e por norma com preços superiores
Os embaixadores da marca mudaram também, pelo que passaram a figurar pessoas como Emma Watson, Cara Delvigne ou Rosie Huntignton-Whiteley.
 
Outro passo importante no meio digital foi a aproximação aos consumidores através do programa "Acoustic"  trazendo novos talentos musicais britânicos, dando-lhes visibilidade e em alguns casos fazendo dos artistas foco nos spots televisivos da Burberry, como por exemplo:
(Marika Hackman começou por cantar emvídeos no terraço de uma amiga)
 
Outra forma de promover a interação entre consumidores e a marca, a Burberry criou o programa "Bespoke", no qual convidava os visitantes do seu website (e este programa está disponível apenas online) a criar e personalizar a sua gabardina, de entre as milhares de opções à disposição. Conjugando o tradicional com o moderno, numa simbiose tão britânica quanto possível.
Claro que a jogada foi brilhante, não só o consumidor estaria a interagir com a marca, como estaria a dar de bandeja, todas as suas preferências face ao artigo, permitindo à empresa procurar e explorar tendências e aprimorar designs, dotando o utilizador e futuramente os compradores de artigos únicos, desenvolvidos por si e para si.
 
Modernizados os produtos e lançada a marca em todos os meios digitais possíveis, resta perceber o que mudou nos "retail spots" durante a liderança de Angela Ahrendts e do seu director criativo Christopher Bailey. Segundo a própria, o melhor exemplo do que a marca representa, está patente na sua loja de bandeira em Regent Street, Londres.



 
A loja apresenta uma dimensão considerável e apesar do aspecto tradicional do retail de roupa, está dotada de muita tecnologia, espelhos inteligentes, monitores e telas de grande dimensão. Segundo a CEO é a representação física da Burberry World online.
 
 
 
 
 
 
Por outro lado a modernidade da loja, proporciona experiências distintas, propiciando a realização de concertos, desfiles, apresentações de novos artigos e muito mais..
A melhor descrição possível do que esta loja é e do que representa para a marca, foi feita pelo Director Criativo no vídeo que se segue:
 
 
 
 
 
Depois de todo este fantástico trabalho, a CEO Angela Ahrendts está de partida para a Apple, onde se espera que venha a realizar um trabalho ao nível de retail semelhante e revolucionário. Esperemos para ver...
Será apenas coincidência que os últimos anúncios e desfiles da Burberry tenham sido filmados ostensivamente utilizando iPhones? claro que não... ou não fosse esta a ferramenta preferida da geração milenar!
 
Seguindo a temática, o próximo artigo será sobre o iPhone da Apple. A não perder!!!
 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Artigo: Patek Philippe Calatrava


 




Patek Philippe é sinónimo de alta-relojoaria, ou digamos, talvez da mais alta relojoaria, muitas vezes apelidada como a "Rolls-Royce" da indústria relojoeira, produzindo peças únicas, verdadeiros ícones que atravessam gerações.
O ícone de hoje é o modelo Calatrava (de 2013).
Este modelo comporta o 324 S C, movimento de corda automático, com função data às 3h, reserva de marcha de aproximadamente 40 horas, com caixa disponível em ouro 18k, ouro branco e ouro rosa todas as versões de 39mm de diâmetro, com curvas suaves, vidro de safira, apliques em ouro no mostrador, a bracelete é em pele de aligátor, feita à mão com fivela a condizer com a caixa.
Calatrava ref 5227, or jaune, rose et gris © Patek Philippe
Feitas as introduções, o que é afinal o Calatrava?
É talvez o relógio "formal" mais nobre, aquele que serve de inspiração a tantos relógios de face redonda e no entanto é discreto, com movimento simples, intemporal e muito elegante.
Por muito que se procure, artigos desta marca não vão apresentar falhas ou imperfeições. É, digamos assim, a assinatura desta Casa suíça, que desde 1932 que nos agraciou com o Calatrava. Ninguém certamente se importará com as naturais discrepâncias mecânicas de -2/+3 segundos por dia, porque por um lado já são tolerâncias muito apertadas e por outro, porque se as cumprir, o relógio receberá o selo Patek Philippe e acredite-se, todos nós queremos ou deveríamos querer isso nas nossas vidas!
 

Quando vemos alguém com um Rolex sabemos que teve sucesso e o quer demonstrar, procura qualidade e reconhecimento. Quando vemos alguém com um Patek, sabemos que teve tanto sucesso que já não precisa de o demonstrar, este é o posicionamento que esta marca comanda!
Este é o tipo de artigos em que se é preciso saber o preço será certamente porque não o poderá adquirir. Por isso é que a sua raridade apenas nos permite vislumbrá-los no pulso da realeza, chefes de indústria e outras pessoas no ponto alto das suas carreiras.

A importância e o carisma do Calatrava está patente no vídeo que se segue: "Please enjoy"
 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

As Marcas

 
O que define uma marca?
Como se avalia uma marca e que impacto tem o seu valor na forma como vemos e interagimos com os seus produtos?
 
Uma marca é um complexo conjuntos de associações que fazemos perante um produto, empresa, pessoa, local, etc etc.
Por norma, temos que uma marca é o agregar da identidade de uma empresa associada a um logótipo, linha ou gama de produtos, slogan, esquema de cores, pessoas-chave (embaixadores, CEO's, entre outros), uma música ou jingle, características intrínsecas/diferenciadoras (key-features).
Vejamos alguns exemplos:
 
                                                                (Logótipo - Bentley)
(esquema de cores -  Christian Louboutin)  
                                                                          
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                              (Personalidade - Coco Chanel)
 (Design/Características Únicas - Porsche 911) 
 
 
Uma marca pode ser decomposta em 4 funções principais:
- Funcional
- Estética
- Emocional
- Social
 
Deverá portanto, incorporar aspetos elementares como os valores da empresa, a satisfação de necessidades, deverá expor as características única e diferenciadoras do produto, serviço ou empresa, ou seja, o aspecto/função Funcional é também o Marketing-Mix dos mesmo produtos, serviços ou empresas.
Quando falamos de estética não nos focamos necessariamente na beleza de um produto "per se", mas a forma como o utilizador/consumidor interage visual e fisicamente com o artigo, como o utiliza, como se relaciona com o design do mesmo e, por conseguinte, como este despoleta uma relação emocional. Recentemente a tendência de "personificar" um determinado produto ou marca, cria relações afectivas muito fortes com um consumidor ou comunidade, criando sentimentos de pertença e por vezes fanatismo quase religioso (exemplo: Samsung vs Apple/Android vs IOS). Destas alianças entre consumidores e marcas resulta frequentemente uma criação de classe ou grupo de consumidores, que pela anexação a uma insígnia, passa a representar ou a ter que representar um conjunto de comportamentos que dele são esperados, posto muito simples, status e tribos.

No próximo artigo relacionado com marcas, abordaremos a avaliação de uma marca e a temática Marcas de Luxo.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Luxo

O primeiro conceito a abordar é o Luxo.

Este conceito por natureza engloba artigos, serviços ou experiências, que sejam raros ou únicos, exclusivos/personalizados, com preços altos face aos bens ou serviços análogos e por norma com qualidade percebida acima da média, dotados na maior parte dos casos de um benefício intangível vulgarmente designado por status.
O foco aqui não será porventura a satisfação por si só de necessidades, sejam básicas/fisiológicas ou de auto-realização (ver. "Teoria da Motivação Humana" de Abraham Maslow, 1943), mas sim a forma como essas necessidades são satisfeitas.

Este conceito não é sempre "fixo", como sabemos a curva da Procura vs Preço mostra que quando a Oferta
é limitada os consumidores estão mais dispostos a pagar um Preço alto, contudo dependerá sempre do artigo/serviço de que estamos a falar, da marca e das associações que a ela fazemos. De certo modo, quando falamos de artigos de luxo, podemos inferir que o consumidor está a pagar um preço mais alto para que a "Marca" não produza mais artigos!
Será por certo mais seguro afirmar que é um conceito cuja Procura aumenta com o rendimento auferido pelos potenciais compradores (por norma, Classes B "aspiracionais" e A).


Outro aspeto intrinsecamente ligado ao luxo é a durabilidade e o valor no tempo quando falamos é claro de bens tangíveis, idealmente um bem de luxo poderá perder muito muito pouco valor após a compra, manter o valor, ou até apreciar. Sobretudo porque muitas vezes estamos a falar de artigos compostos por matérias nobres, detidos por personalidades interessantes, artigos de moda ou de arte.
Dado o valor alto (real ou percebido) deste tipo de bens, são por norma, guardados com segurança e mantidos em boas condições (vinho, jóias, automóveis, entre outros).

 
Resumindo, eis a principais características do conceito de luxo:
  • Valor e preço altos
  • Raridade e Qualidade
  • Oferta muito limitada/exclusiva ou selectiva
  • Durabilidade de valor e no tempo
  • Status promovido
  • Marca Forte e Reconhecida
 
“Some people think luxury is the opposite of poverty. It is not. It is the opposite of vulgarity.”  -  Coco Chanel


Nota Introdutória

Bem-vindos ao Blogue!
O meu nome é Ricardo Melo, sou português e sou aluno da Business School do ISCTE-Inst. Universitário de Lisboa, estou já na fase final da licenciatura em Gestão de Marketing. Sou um Lisboeta, apaixonado por Marketing, Fotografia, Tecnologia, Automóveis, Jóias e Relógios e tantos outros pequenos prazeres que tornam a vida mais interessante.

Gostaria de deixar claro, que os artigos que aqui irei publicar refletem apenas e só a minha opinião relativa aos três temas centrais que serão abordados, bem como algumas noticias relacionadas com os temas que aqui proponho. Que temas são esses?
Os temas principais deste blogue serão então: Marketing, Marcas e o conceito de Luxo.
Certamente estarão a pensar (e com toda a razão) "Mas as Marcas são uma componente do Marketing! porquê a separação?". Pois bem, será a componente de todo o marketing em que mais me irei focar e requer por isso a distinção das demais.

Espero que os artigos aqui publicados promovam uma reflexão saudável e sirvam de uma boa base para algumas pesquisas e discussões.

"Sit back and enjoy the ride!"