quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Dar a Mão

No seguimento da próxima temática que irei abordar aqui no blogue, dedicada ao valor da Manufatura e o "preço" que pagamos para que pessoas como nós usem as suas mãos para criar os objectos que tanto desejamos, darei impulso à iniciativa:
 
Marketing gives a hand
 
 
Simplificando, o blogue de futuro passará a incorporar anúncios digitais, sendo as receitas provenientes dos mesmos revertidas na sua totalidade para benefício de Instituições de Solidariedade Social e de Caridade!
 
Stay tunned and you'll be giving a hand to those in need

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Apple iPhone


 

Desde que comecei a escrever este blogue, fui frequentemente questionado acerca deste controverso dispositivo da marca da maçã. Talvez por isso, decido agora abordar não só o produto, mas também algum do Marketing que o levou ao sucesso que atinge ainda hoje.
 
Vou tentar dar resposta à questão que me colocaram, "é o iPhone um artigo de luxo?"
 
Não querendo fazer do blogue um marketing-mix do iPhone, começo no entanto com o Produto:
Fisicamente falando, os materiais estão lá... matérias nobres (em pequena quantidade e nos circuitos), safira na câmara e no botão principal, vidro mineral endurecido no ecrã, alumínio escovado e polido, fabricado com tolerâncias micrométricas, ou seja, muita qualidade na palma da mão!
 
A experiência que o iTelefone proporciona é certamente também polida e sofisticada, sistema operativo feito mesmo à medida e aplicações em abundância e com qualidade.
Não só o aspecto gráfico é simples, mas é igualmente atractivo, permitindo fácil utilização por uma base alargada de consumidores de diferentes, idades, géneros, geografias, educações e estratos sociais. O iPhone foi verdadeiramente feito para todos! (todos? veremos mais adiante)

Quando somos bombardeados com ações de comunicação (Publicidade para o resto do mundo...) da marca, somos levados a crer que este artigo é quase uma entidade viva, ninguém se refere ao iPhone como um objecto, não ouvimos "The iPhone 5s is...", mas antes "iPhone 5s is..",  acontecimento fortuito? Certamente que não, pois é esta personificação, juntamente com o serviço de voz "Siri" e ecrã "Retina" que levam os consumidores a afeiçoar-se e assumir por vezes um fanatismo quase religioso pela marca e pelo produto, defendendo e publicitando-as fervorosamente, talk about free guerilla marketing.
O Serviço ao consumidor é tido como razoavelmente bom e em muitos casos, um dispositivo em falha é substituído tão rápido quanto possível por um novo, sem custos para o consumidor.
Updates e novas funcionalidades também são fornecidas regularmente e por norma mesmo os dispositivos mais antigos continuam a poder beneficiar de uma percentagem dessas actualizações.
E o preço? bem o preço é alto, como seria de esperar, ou não estivéssemos a pagar por todo este luxo e inovação...
Calma lá...ALTO E PÁRA O BAILE!!! o iPhone é um bem de luxo e ponto final? Vamos analisar mais profundamente e tirar conclusões apenas no fim!
 
Começando pela distribuição, este artigo é produzido em escala e vendido aos milhões, preço alto até poderia tornar a distribuição mais selectiva, mas mesmo em Portugal, onde o poder de compra só recentemente inverteu a tendência decrescente, o iPhone vende muito mais do que os seus 600 e muitos €uros fariam prever (pvp 699,00€ em fnac.pt para o modelo iPhone 5S 16GB, livre de operador).
Vamos ainda descobrindo mais falhas quando observamos cuidadosamente o "físico" do smartphone, "Designed in California, Assembled in China", se tivermos em conta que, para começar, a Apple recorreu à Hon Hai Precision Industry Co,Ltd, FoxConn para ser mais claro, a montadora que empregava funcionários em condições muito duras e com salários reduzidos... Uma empresa de luxo não actua assim! Ah a responsabilidade social...  Não é por acaso que a Rolex dispensa os seus lucros para ações de caridade (sim, a Rolex é uma empresa sem fins lucrativos!).
Muitas vezes as marcas de luxo, por serem trend-setters, avant-garde, têm de dar o exemplo, a inovação não se faz só de animações no ecrã! A tecnologia marcante vem muitas vezes dos melhores artigos para os mais básicos, a indústria automóvel é talvez o melhor exemplo desse rolar de inovação.
Pegando em inovação, boa parte dos componentes da Apple são fabricados pela principal rival, a Samsung (exceptuando o chip mais recente que é da ARM UK), isto para não mencionar inúmeros aspectos técnicos do sistema operativo, que foram inspirados noutros SO's.
Neste aspecto a Apple, tem sido alvo de críticas de conduta, acusada de comprar/apropriar-se de tecnologia ou patentes de outras empresas, processando-as ou forçando-as a abandonar o negócio posteriormente.
Conduta igualmente criticada quando Apple e Samsung foram "apanhadas" a forçarem melhores resultados em aplicações de "benchmarking", na tentativa de ganhar a guerra das especificações e performance.
Além de tudo mais, não podemos dizer que este tipo de artigos é de luxo, quando perdem grande parte do seu valor após a compra e passados poucos meses do seu lançamento, a tecnologia é uma moda cruel!
 
Conclusão, o iPhone, mesmo não tendo sido um produto absolutamente transcendental, uniu um vasto conjunto de tecnologias (proprietárias ou de terceiros) que, estas sim, eram inovadoras e quando colocadas num só dispositivo criaram um produto único, de design intuitivo e vanguardista (ainda que lento na mudança).
É um produto que está a mudar as vidas de milhões de pessoas, dando comodidade e versatilidade às suas vidas.
Deve ser dado muito crédito à Apple, pois com um artigo de qualidade veio democratizar e difundir a utilização do massificada do smartphone e todos os benefícios para consumidores e empresas de daí vieram. Contudo e aquilo que para nós interessa aqui no blogue, o iPhone é afinal um bem de luxo? Resposta simples, NÃO.
 
Desiludido(a)? para os que desejam um telemóvel de luxo existirá sempre o Vertu !
 
 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Burberry goes Millennial

Pontualmente há pessoas que marcam uma empresa, uma estratégia, até uma indústria. Uma dessas pessoas é Angela Ahrendts, a CEO de saída da Burberry para a Apple, tendo entrado em 2006, revolucionando a empresa de alto a baixo.


















Esta é a história de sucesso de uma das CEO's mais carismáticas do sector, do seu trabalho e das repercussões no consumidor.
Como é que Angela Ahrendts mudou uma empresa fundada em 1856, cujo primeiro e principal de tipo de produto foi a Gabardina à prova de água, respirável e de design inglês? Como é que trouxe uma Marca de roupa para o século XXI?
A resposta não é directa... Envolveu um trabalho de pesquisa de consumidor, re-estruturação do posicionamento da marca e dos produtos, digitalização da comunicação, em suma mudou toda a experiência Burberry e modernizou-a, ou não estivesse patente no Logo da marca a palavra "Prorsum", que significa "em frente"!
 
Vendo em detalhe, o consumidor-alvo rejuvenesceu, fazia sentido trazer a marca para o presente e para isso o consumidor teria que estar adequado, teria que ser aquele que pudesse não só consumir, mas também comunicar a marca, fazer parte dela, envolver-se...
Assim o "target" seriam os "millennials", também conhecidos como geração Y, não só estes consumidores detinham um valor e poder de compra superior ao alvo prévio, mas eram aqueles que representavam uma maior permeabilidade aos novos meios de comunicação digital. Porquê essa permeabilidade? Posto de forma muito simples, mais gente acede semanalmente ao website Burberry World, do que aos espaços "brick and mortar" em todo o globo (leia-se lojas físicas).
Por estas razões, o posicionamento da marca teve obviamente que mudar, reforçou-se a natureza tipicamente britânica dos produtos, diversificou-se a oferta, mostrando flexibilidade e inovação, regida por 3 sub-marcas:
  • Burberry Brit - linha de entrada, com preços mais acessíveis
  • Burberry London - roupa de estilo formal de trabalho (Business)
  • Burberry Prorsum - Linha ou estilo base  e por norma com preços superiores
Os embaixadores da marca mudaram também, pelo que passaram a figurar pessoas como Emma Watson, Cara Delvigne ou Rosie Huntignton-Whiteley.
 
Outro passo importante no meio digital foi a aproximação aos consumidores através do programa "Acoustic"  trazendo novos talentos musicais britânicos, dando-lhes visibilidade e em alguns casos fazendo dos artistas foco nos spots televisivos da Burberry, como por exemplo:
(Marika Hackman começou por cantar emvídeos no terraço de uma amiga)
 
Outra forma de promover a interação entre consumidores e a marca, a Burberry criou o programa "Bespoke", no qual convidava os visitantes do seu website (e este programa está disponível apenas online) a criar e personalizar a sua gabardina, de entre as milhares de opções à disposição. Conjugando o tradicional com o moderno, numa simbiose tão britânica quanto possível.
Claro que a jogada foi brilhante, não só o consumidor estaria a interagir com a marca, como estaria a dar de bandeja, todas as suas preferências face ao artigo, permitindo à empresa procurar e explorar tendências e aprimorar designs, dotando o utilizador e futuramente os compradores de artigos únicos, desenvolvidos por si e para si.
 
Modernizados os produtos e lançada a marca em todos os meios digitais possíveis, resta perceber o que mudou nos "retail spots" durante a liderança de Angela Ahrendts e do seu director criativo Christopher Bailey. Segundo a própria, o melhor exemplo do que a marca representa, está patente na sua loja de bandeira em Regent Street, Londres.



 
A loja apresenta uma dimensão considerável e apesar do aspecto tradicional do retail de roupa, está dotada de muita tecnologia, espelhos inteligentes, monitores e telas de grande dimensão. Segundo a CEO é a representação física da Burberry World online.
 
 
 
 
 
 
Por outro lado a modernidade da loja, proporciona experiências distintas, propiciando a realização de concertos, desfiles, apresentações de novos artigos e muito mais..
A melhor descrição possível do que esta loja é e do que representa para a marca, foi feita pelo Director Criativo no vídeo que se segue:
 
 
 
 
 
Depois de todo este fantástico trabalho, a CEO Angela Ahrendts está de partida para a Apple, onde se espera que venha a realizar um trabalho ao nível de retail semelhante e revolucionário. Esperemos para ver...
Será apenas coincidência que os últimos anúncios e desfiles da Burberry tenham sido filmados ostensivamente utilizando iPhones? claro que não... ou não fosse esta a ferramenta preferida da geração milenar!
 
Seguindo a temática, o próximo artigo será sobre o iPhone da Apple. A não perder!!!