Desde que comecei a escrever este blogue, fui frequentemente questionado acerca deste controverso dispositivo da marca da maçã. Talvez por isso, decido agora abordar não só o produto, mas também algum do Marketing que o levou ao sucesso que atinge ainda hoje.
Vou tentar dar resposta à questão que me colocaram, "é o iPhone um artigo de luxo?"
Não querendo fazer do blogue um marketing-mix do iPhone, começo no entanto com o Produto:
Fisicamente falando, os materiais estão lá... matérias nobres (em pequena quantidade e nos circuitos), safira na câmara e no botão principal, vidro mineral endurecido no ecrã, alumínio escovado e polido, fabricado com tolerâncias micrométricas, ou seja, muita qualidade na palma da mão!
A experiência que o iTelefone proporciona é certamente também polida e sofisticada, sistema operativo feito mesmo à medida e aplicações em abundância e com qualidade.
Não só o aspecto gráfico é simples, mas é igualmente atractivo, permitindo fácil utilização por uma base alargada de consumidores de diferentes, idades, géneros, geografias, educações e estratos sociais. O iPhone foi verdadeiramente feito para todos! (todos? veremos mais adiante)
Não só o aspecto gráfico é simples, mas é igualmente atractivo, permitindo fácil utilização por uma base alargada de consumidores de diferentes, idades, géneros, geografias, educações e estratos sociais. O iPhone foi verdadeiramente feito para todos! (todos? veremos mais adiante)
Quando somos bombardeados com ações de comunicação (Publicidade para o resto do mundo...) da marca, somos levados a crer que este artigo é quase uma entidade viva, ninguém se refere ao iPhone como um objecto, não ouvimos "The iPhone 5s is...", mas antes "iPhone 5s is..", acontecimento fortuito? Certamente que não, pois é esta personificação, juntamente com o serviço de voz "Siri" e ecrã "Retina" que levam os consumidores a afeiçoar-se e assumir por vezes um fanatismo quase religioso pela marca e pelo produto, defendendo e publicitando-as fervorosamente, talk about free guerilla marketing.
O Serviço ao consumidor é tido como razoavelmente bom e em muitos casos, um dispositivo em falha é substituído tão rápido quanto possível por um novo, sem custos para o consumidor.
Updates e novas funcionalidades também são fornecidas regularmente e por norma mesmo os dispositivos mais antigos continuam a poder beneficiar de uma percentagem dessas actualizações.
E o preço? bem o preço é alto, como seria de esperar, ou não estivéssemos a pagar por todo este luxo e inovação...
Calma lá...ALTO E PÁRA O BAILE!!! o iPhone é um bem de luxo e ponto final? Vamos analisar mais profundamente e tirar conclusões apenas no fim!
Começando pela distribuição, este artigo é produzido em escala e vendido aos milhões, preço alto até poderia tornar a distribuição mais selectiva, mas mesmo em Portugal, onde o poder de compra só recentemente inverteu a tendência decrescente, o iPhone vende muito mais do que os seus 600 e muitos €uros fariam prever (pvp 699,00€ em fnac.pt para o modelo iPhone 5S 16GB, livre de operador).
Vamos ainda descobrindo mais falhas quando observamos cuidadosamente o "físico" do smartphone, "Designed in California, Assembled in China", se tivermos em conta que, para começar, a Apple recorreu à Hon Hai Precision Industry Co,Ltd, FoxConn para ser mais claro, a montadora que empregava funcionários em condições muito duras e com salários reduzidos... Uma empresa de luxo não actua assim! Ah a responsabilidade social... Não é por acaso que a Rolex dispensa os seus lucros para ações de caridade (sim, a Rolex é uma empresa sem fins lucrativos!).
Muitas vezes as marcas de luxo, por serem trend-setters, avant-garde, têm de dar o exemplo, a inovação não se faz só de animações no ecrã! A tecnologia marcante vem muitas vezes dos melhores artigos para os mais básicos, a indústria automóvel é talvez o melhor exemplo desse rolar de inovação.
Pegando em inovação, boa parte dos componentes da Apple são fabricados pela principal rival, a Samsung (exceptuando o chip mais recente que é da ARM UK), isto para não mencionar inúmeros aspectos técnicos do sistema operativo, que foram inspirados noutros SO's.
Neste aspecto a Apple, tem sido alvo de críticas de conduta, acusada de comprar/apropriar-se de tecnologia ou patentes de outras empresas, processando-as ou forçando-as a abandonar o negócio posteriormente.
Conduta igualmente criticada quando Apple e Samsung foram "apanhadas" a forçarem melhores resultados em aplicações de "benchmarking", na tentativa de ganhar a guerra das especificações e performance.
Além de tudo mais, não podemos dizer que este tipo de artigos é de luxo, quando perdem grande parte do seu valor após a compra e passados poucos meses do seu lançamento, a tecnologia é uma moda cruel!
Conclusão, o iPhone, mesmo não tendo sido um produto absolutamente transcendental, uniu um vasto conjunto de tecnologias (proprietárias ou de terceiros) que, estas sim, eram inovadoras e quando colocadas num só dispositivo criaram um produto único, de design intuitivo e vanguardista (ainda que lento na mudança).
É um produto que está a mudar as vidas de milhões de pessoas, dando comodidade e versatilidade às suas vidas.
Deve ser dado muito crédito à Apple, pois com um artigo de qualidade veio democratizar e difundir a utilização do massificada do smartphone e todos os benefícios para consumidores e empresas de daí vieram. Contudo e aquilo que para nós interessa aqui no blogue, o iPhone é afinal um bem de luxo? Resposta simples, NÃO.
Desiludido(a)? para os que desejam um telemóvel de luxo existirá sempre o Vertu !

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